terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Vinho e saúde: rótulos artesanais são uma ótima opção para alcançar os benefícios do consumo





Saiba quais as características de um vinho verdadeiramente bom para o organismo
Que o vinho é uma das bebidas mais apreciadas em todo o mundo, não restam dúvidas. As razões para tamanho sucesso são inúmeras: cultura, tradição, prazer e requinte são apenas alguns dos adjetivos associados à bebida que acompanha o homem desde as épocas mais remotas. Contudo, nas últimas décadas outro diferencial fez com que seu consumo ganhasse ainda mais destaque: o poder do vinho sobre saúde. Alvo de inúmeros estudos e pesquisas recentes, o vinho ganhou status de amigo do coração, sendo apontado como protetor do sistema cardiovascular e prevenindo também contra outras doenças.
Motivo de comemoração entre os apreciadores, as evidências não são uma permissão para o consumo desenfreado: já existe o consenso de que para alcançar estes benefícios é preciso moderação. Mas, ao contrário do que muitos pensam, as recomendações não param por aí: para que a bebida seja um aliado da saúde é preciso também atenção na escolha do rótulo, nem todo vinho é um elixir para o corpo. Se você é um amante da bebida ou deseja estimular o hábito em virtude dessas vantagens, saiba por que alguns vinhos se destacam quando o objetivo é fortalecer o organismo e porque outros não são tão saudáveis quanto parecem.


Porque é tão bom?

A ideia de que consumir vinho faz bem para a saúde é um conhecimento difundido mesmo entre aqueles que não são apreciadores da bebida. E ainda que este conhecimento esteja bem enraizado, poucos sabem o que faz o vinho ser tão especial e quais as diferenças que podem tornar alguns rótulos potencialmente mais benéficos do que outros.

A uva: raiz de todos os benefícios

Ainda que óbvia uma das principais razões para tantas vantagens não poderia ser outra: a matéria prima do vinho, a uva, possui inúmeras propriedades terapêuticas em virtude da concentração de polifenóis. Estes compostos vegetais são resultantes de um processo natural de defesa da videira, que estimula a produção dessa substância diante das agressões externas como exposição solar, pestes e outras intempéries. Portanto, quanto mais “sofrida” a parreira, mais rica em polifenóis será a uva.
Dentre as centenas de polifenóis presentes na fruta, o resveratrol é o que mais merece destaque: estudos já apontam que a substância é capaz de diminuir o acúmulo de coágulos nos vasos sanguíneos, reduzindo o risco de ateroscleroses e acidentes vasculares. Além disso, regula o colesterol e possui propriedades antienvelhecimento, protetoras do cérebro e favorecedoras da digestão. Na uva, essa substância é a responsável por “escurecer” as bagas, e justamente por isso, as castas tintas são mais ricas neste elemento. Isso significa que quanto mais tinto, melhor o vinho? Não necessariamente, pois apesar da uva ser um dos segredos para um vinho saudável, o processo de fabricação também é determinante.

Fabricação: ponto chave para a qualidade do vinho

Se nos limitássemos ao tipo da uva para classificar o vinho como mais saudável cairíamos na falsa ideia de que basta escolher um tinto bem encorpado para garantir a alta concentração de polifenóis. Porém, outro fator influência nessa questão: a abundância em resveratrol e outras substâncias favoráveis no vinho é oriunda do seu processo de fabricação.
Uma das etapas da vinificação consiste, justamente, em extrair o mosto – sumo das uvas. No caso dos tintos, em especial, esse processo conta com a presença das cascas e sementes da uva – a maceração – que irá acentuar no líquido, além da coloração característica, as propriedades benéficas da fruta. É neste ponto que está um dos segredos do bom vinho: de acordo com a sommelière Stephanie Duchene “Este é um dos processos mais importantes, pois é o equilíbrio dessa mistura que irá influenciar nas etapas seguintes da vinificação. Como este líquido é o que concentra boa parte dos nutrientes, açúcares e leveduras naturais da fruta, a seleção das uvas, o método de extração do mosto e o tempo de maceração são determinantes para a qualidade do vinho”.
Duchene explica que, como este processo pode variar substancialmente de acordo com o produtor e de acordo com o tipo de vinho que se deseja produzir, não se pode julgar o vinho como saudável somente pela coloração, pois “Outros aditivos podem ser acrescentados nas etapas seguintes para que se atinja a coloração e densidade desejada, sobretudo nos vinhos comercializados em grande escala, onde se precisa manter um padrão”.

Todo vinho é saudável?

Muitos consumidores ainda acreditam que o vinho adquirido num supermercado qualquer é um produto que traduz cultura, tradição e saúde. Contudo, nem todos os rótulos podem ser considerados um elixir para o organismo. Com os processos industriais, muitos químicos, aditivos e conservantes são utilizados para padronizar e aumentar a conservação da bebida, desde o cultivo da uva, até o engarrafamento. O quanto essas substâncias impactam a saúde?
Existe uma polêmica em especial quanto à utilização de sulfito – um dos conservantes amplamente empregados na indústria de vinhos. Também conhecido como dióxido de enxofre, este químico preserva a bebida contra a ação de microrganismos e prolonga sua longevidade, contudo, sua ingestão pode causar reações alérgicas e implicações de saúde, especialmente em asmáticos ou pessoas sensíveis ao químico. Controverso, muitos apontam ainda que a substância é a responsável pela dor de cabeça característica após o consumo de vinho.
Apesar de ser apenas uma das centenas de substâncias químicas que podem compor o vinho, sua presença requer atenção do consumidor. Como sua regulamentação varia de país para país, as diferenças podem ser gritantes entre os rótulos: enquanto os produtores mais tradicionais preocupam-se em manter os níveis mais baixos possíveis deste químico, alguns rótulos industriais podem chegar à 200mg/litro. Para Duchene, essa característica também deve levada em conta por aqueles que desejam incorporar a bebida como um hábito saudável. De acordo com a fundadora da Wine Exclusive, o amante da bebida deve dar preferência por rótulos artesanais, originados com o mínimo de intervençã o química, pois esses vinhos não são apenas mais autênticos, mas, sobretudo, mais saudáveis.

O melhor vinho para a sua saúde

Não é a toa que um novo mercado tem se expandido diante da procura por vinhos genuinamente sinceros, os chamados vinhos “de produtor”: os artesanais tem ganhado espaço justamente por seguir a proposta da mínima utilização de químicos e maior respeito ao meio ambiente e a matéria prima. Mesmo com suas variações substanciais, os rótulos pertencentes a essa categoria buscam traduzir a essência mais legítima da bebida, respeitando o tempo e os limites do processo tradicional de transformação da uva em vinho.
Stephanie, responsável por uma criteriosa seleção de rótulos artesanais franceses, enfatiza que o grande diferencial destes produtos em relação aos industriais é que existe um cuidado desde o plantio, que garante um fruto mais saudável que irá, consequentemente, resultar num vinho mais puro “Cada etapa do processo busca respeitar ao máximo as características originais da uva, portanto, por natureza, esses vinhos são mais ricos em determinados nutrientes e possuem pouquíssimos traços de sulfito. É possível afirmar que, em comparação os vinhos padronizados quimicamente, a bebida não é só consideravelmente mais saudável, mas também mais sincera”.
Para a sommelière, a apreciação moderada da bebida deve ser estimulada como um hábito, principalmente entre os brasileiros que ainda consomem pouco. E ainda que a grande maioria dos vinhos possua seus benefícios particulares, inclusive os brancos e os espumantes, alguns tipos e rótulos se sobressaem quando o assunto é saúde: os franceses, especialmente da região de Languedoc e os provenientes da uva Tannat, são considerados os mais benéficos – a uva, aliás, é conhecida como a mais rica em resveratrol. Coincidência ou não, os habitantes do sudoeste da Franca são conhecidos, inclusive, por sua longevidade “Os vinhos de Madiran, especialmente da uva Tannat, são conhecidos por suas propriedades benéficas”. Porém, para facilitar na escolha do dia a dia, a especialista dá a dica “Existem diversos e studos que apontam que os tintos possuem características mais acentuadas em relação aos nutrientes benéficos à saúde. Na escolha de um bom rótulo, deve-se dar preferência aos rótulos artesanais, optando pelos secos, com menos açúcar, e aqueles de menor teor alcoólico, abaixo dos 12.5%. No mais, basta apreciar o momento com moderação e, como manda o brinde: saúde”.

Fonte: Wine Exclusive
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